Nossa viagem para Londres merece uma referência especial.
Como ficaria muito caro ir de trem (520 euros pelo Eurotúnel) ou muito fora de mão ir de avião (as cias aéreas baratas só utilizam aeroportos secundários), resolvemos ir de busão mesmo.
Logo que chegamos a Paris compramos as passagens pela Eurolines e resolvemos o assunto. Pelo menos era o que pensávamos.
No dia de ir embora, pegamos o metrô e fomos para a estação rodoviária. Deixamos pra comer alguma coisa quando chegássemos lá. Entrando na estação, vimos uma placa do Mc Donalds. Ufa, estamos salvos.
Fomos procurar o guichê da Eurolines e descobrimos que só tinha guichê da Eurolines. Chegamos a conclusão que não era uma estação rodoviária, mas sim uma garagem da companhia de onde partem os ônibus para diversos pontos da Europa.
Nosso ônibus era as 23 hrs, e chegamos às 21. O check in começava às 22 horas.
Pensamos como eram organizados, com check in e tudo. Muito legal esses europeus. Fazem check in até pra ônibus! Que organização!
Enquanto esperávamos a hora de fazer o check in, fomos procurar um local pra comer. Achamos umas máquinas de refrigerante, doces e água, que só aceitavam moedas.
Como nós tínhamos uns 20 euros em notas e poucas moedas, fomos atrás da lanchonete que deveria funcionar no local. Como era domingo, estava fechada!
Sem problemas, ainda tínhamos o Mc Donalds que vimos na placa.
Fizemos o check in e corremos no Mc comprar água e uma coca.
Quando voltamos, todo mundo já estava embarcando. Quando olhamos nossas passagens, vimos que não tinha assento marcado.
O ônibus já estava quase cheio e conseguimos dois lugares próximos. Um atrás do outro, mas no corredor.
Quando o motorista entrou no ônibus e disse que ainda tinha lugar, um afro-descendente que estava numa fila atrás da gente falou “I always travel alone”.
Na fila do nosso lado havia um muçulmano com o rosto coberto pela jaqueta, sentado na poltrona do corredor, com a mochila na poltrona da janela, do tipo “não me incomode”.
O motorista afinou, botou o rabinho entre as pernas e voltou pra frente do ônibus.
Saímos de Paris e o muçulmano tratou de deitar nas duas poltronas e esticar as pernas no corredor, inclusive.
A conclusão foi óbvia. Tirando nós dois, uns adolescentes ingleses, e mais uma meia dúzia, o resto lá ou era terrorista ou imigrante ilegal.
Claro que não dormimos e fomos nós chacoalhando pelo interior da França.
Pouco antes de chegar em Callais, onde pegaríamos o ferry boat pra atravessar o canal da mancha, o motorista fez uma curva um pouco mais brusca. Uma senhora começou a bater as mãos e gritar “le bagage, le bagage”.
Nessa manobra, a tampa do bagageiro do lado esquerdo do ônibus abriu e várias malas caíram na auto pista.
O povão acordou desesperado. Apesar da nossa bagagem estar do lado direito do ônibus, poderia ter vazado para o outro lado.
O portuga parou o ônibus por causa da gritaria e viu a cagada que tinha feito.
Enquanto a Clície ficou dentro do ônibus, eu desci e fui falar com o motorista.
O portuga soltou meia dúzia de palavrão dizendo que isso nunca tinha acontecido com ele, etc.
Falou “olha aí ó pá, enquanto dou a ré”.
Eu fui na traseira do ônibus ajudar o portuga a voltar até o local onde as malas caíram.
Tinham várias espalhadas pela pista. Todas atropeladas pelos outros carros.
Quando o povo viu que tinha caído um monte de malas, resolveram descer do ônibus.
O portuga abriu o porta malas e quando vi que a nossa bagagem ainda estava lá, tratei de amarra-las nas barras do bagageiro.
Tinha um cara reclamando que perdeu um notebook e outra mulher chorava por causa da mala dela toda arrebentada.
O motorista fez uma cara “o que se se hais de fazeire”, jogou tudo de volta no bagageiro e mandou todo mundo entrar pra seguir viagem.
A polícia até apareceu, mas não fez muita questão de tomar alguma atitude com o motorista. O policial sabia que se tivesse que investigar direito, ia ter que prender quase todo mundo e não ia mais descansar naquela noite.
Seguimos viagem e o resto até que foi tranqüilo. Até a imigração inglesa foi menos emocionante. Nos liberou rapidamente, pegamos o ferry e atravessamos o canal da mancha.
Infelizmente não temos imagens desse ocorrido, por razões óbvias. Se tivéssemos tirado a filmadora ou a digital da mochila, teríamos ficado sem elas.
Essa foi nossa aventura no busão. Nunca mais reclame se tiver que pegar a Viação Real.
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
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2 comentários:
heheheheheheeheh....essa queria ter visto!!!
imagine as malas saindo do busao!!!
hehehehehhehehehehe.....Isso pq vcs estavam na Europa!!!
Salve salve Princesa (tristesa) dos campos!!
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